Bebês, quadris e cuidados*

Por Dr. Pedro Daltro

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A displasia de desenvolvimento do quadril (DDQ) é uma alteração do desenvolvimento que pode acometer os recém-nascidos devido a uma instabilidade da articulação coxo-femoral, causada por um encaixe incorreto da cabeça do fêmur na bacia, tornando o quadril frouxo, displásico.

A DDQ é mais frequente em meninas e tem como fatores predisponentes os genéticos (ligados a algumas síndromes), os hormonais (que levam a uma maior frouxidão ligamentar devido aos altos teores de estrogênio no período neonatal), e os mecânicos (que podem ser secundários à posição do feto no útero materno, como nos partos pélvicos e gemelaridades).

O diagnóstico é suspeitado ainda na maternidade, quando o pediatra sente um “click” ou um ressalto ao mover os quadris da criança (o chamado “sinal de Ortolani positivo”). A seguir, o bebê é encaminhado ao ortopedista pediátrico para prosseguir a investigação diagnóstica.

Atualmente, a ultrassonografia (US) é o método de imagem ideal para avaliação da articulação do quadril, visto que é um exame simples, indolor, sem radiação ionizante e capaz de visualizar a cabeça femoral (que nesta época é cartilaginosa, portanto não visível pela radiografia). A avaliação radiográfica dos quadris se torna mais útil a partir dos 4 meses de idade, quando se inicia a ossificação das cabeças femorais.

Hoje, não só os pacientes com o sinal de Ortolani positivo têm sido submetidos à avaliação pela US, mas todos os bebês em torno dos 2 meses de idade. A finalidade é avaliar a congruência da articulação dos quadris, definindo se é normal ou, quando patológico, qual o grau dessa alteração. O exame de US antes dos 30 dias de vida não deve ser realizado de rotina porque pode gerar falsos positivos, já que nessa época é mais comum a frouxidão ligamentar devido aos hormônios maternos.

É importante a detecção precoce da DDQ porque o tratamento é mais fácil e eficiente quanto mais precocemente for iniciado – razão pela qual a triagem pela US torna-se indicada aos bebês em torno dos 2 meses de vida.

* Dr. Pedro Daltro é radiologista pediátrico, Diretor médico da Alta Excelência Diagnóstica e da CDPI Criança, Membro Honorário da Sociedade Americana de Radiologia Pediátrica e da Sociedade Europeia de Radiologia Pediátrica.

(Texto publicado originalmente na Revista Sérgio Franco CDPI. Você pode fazer o download para iPad neste link (http://bit.ly/Z6ustb) ou retirar sua versão impressa em qualquer Unidade de Atendimento (http://bit.ly/115N36x).)

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